Crise do diesel afeta fornecimento e impacta plantio de safra de verão, diz Farsul

Nos postos de combustíveis da Região Metropolitana o preço do litro do diesel S10 varia entre R$ 6,39 em Canoas e R$7,35 em Cachoeirinha. De acordo com estudos da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o diesel sofreu uma alta de 21%, afetando diversas cadeias produtivas do Estado.
Subvenção
O acréscimo acontece apesar da política do Governo Federal que prevê um subsídio para segurar o valor de comercialização do combustível em território nacional. Enquanto isso, no exterior, o barril do petróleo volta a ser cotado acima dos US$ 100,00, em razão dos conflitos envolvendo ataques a refinarias e a logística do petróleo a nível mundial. Esse cenário aumenta a defasagem do preço do litro do combustível no Brasil, com relação aos valores praticados no exterior.
De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado do Rio Grande do Sul (Sulpetro), Fabrício Severo Braz, a medida prejudica as distribuidoras de combustíveis uma vez que “se a Petrobras tem produto é possível segurar o preço. Mas se a Petrobras não consegue suprir a demanda, às vezes é preciso importar, mas para vender, é necessário repassar a diferença de preço com o mercado exterior. Porém o Governo não quer que repasse”, explica o representante.
Oferta e demanda
Procurado, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS) afirmou que ainda não tem um prognóstico sobre os impactos da imposição de cotas sobre o fornecimento de diesel, mas que “acompanha com preocupação” os desdobramentos da medida.
Nos postos consultados pela reportagem não há relato de falta no fornecimento do combustível, embora a margem de preços em que o litro é comercializado se aproxime de R$ 1,00 de diferença entre um ponto de venda e outro.
A entre as solicitações encaminhadas pela Farsul para a ANP, estão:
- Fiscalização imediata das distribuidoras que operam no Rio Grande do Sul, com foco no atendimento aos TRRs, postos independentes e municípios do interior;
- Divulgação atualizada e regionalizada dos estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento;
- Esclarecimento dos critérios utilizados pelas distribuidoras na alocação dos volumes disponíveis;

- Apuração de eventuais recusas injustificadas, retenção de produto, discriminação entre compradores ou limitação artificial da oferta;
- Informações sobre o calendário de importações e os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo Governo Federal;
- Apresentação dos resultados das apurações realizadas durante a crise de março e abril, bem como de um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita.
A entidade também destaca que a situação tem se agravado desde a última semana, quando relatou a situação a ANP, e que já pediu providências sobre o assunto junto ao Ministério de Minas e Energia contando com apoio do Governo do Estado.
Procurada pela reportagem, a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), não retornou aos questionamentos, mas o espaço segue aberto para manifestações da entidade sobre o assunto.



























