Cármen Lúcia diz estar “envergonhada” com exposição do STF e pede desculpas por clima na CorteMinistra afirmou “profunda consternação e tristeza” com bate-boca entre magistrados e criticou “espetacularização”

Foto : Rosinei Coutinho/STF
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira estar em “estado de profunda consternação e tristeza” diante do bate-boca no STF. A ministra afirmou que o Judiciário provoca “mal estar cívico” nos brasileiros nos últimos dias e disse que ficou “envergonhada” com a atenção voltada à Corte a menos de 20 dias das eleições.
A magistrada declarou que os ministros não conseguiram garantir rigor e serenidade no processo e pediu “desculpas” por não ter contribuído o suficiente para acalmar os ânimos e conduzido melhor o processo. “Acho que houve uma espetacularização desses casos, desta sessão, mesmo, que não faz mal apenas ao Supremo nem ao Poder Judiciário, faz mal ao País”, disse.

Voto contra redistribuição
A magistrada deu o quarto voto junto ao presidente do STF, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça e Luiz Fux. Outros três ministros deram voto oposto: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino votou com Gilmar, mas pediu vista e não registrou sua posição. Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de votar.
Os votos ocorreram durante sessão do STF que analisa uma petição sobre a possibilidade de que seja aberta uma investigação contra Moraes, por supostas mensagens do ministro com o dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de tratarem sobre o mérito, os ministros analisam uma questão de ordem apresentada por Gilmar. O magistrado aponta que o Fachin não deveria ter tomado para si a relatoria de Mendonça sobre o caso. Além disso, defende que o processo sobre Mendonça deve ser associado ao de Moraes.
Em relação à defesa que Moraes e Zanin fizeram sobre a necessidade de pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a abertura de investigações, Cármen opinou que é “autoritária” a “fórmula” de arquivar apurações a pedido do órgão.



























