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segunda-feira 21 setembro 2020
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Em segundo dia de queda, dólar fecha a R$ 4,16, com uma baixa de 0,21%

Bolsa renova máxima de fechamento, a 119.527,63 pontoAções do banco foram fator decisivo para impulsionar o Ibovespa, que subiu 0,96%

Ações do banco foram fator decisivo para impulsionar o Ibovespa, que subiu 0,96% 

O dólar teve o segundo dia seguido de queda hoje, descolado de outras moedas emergentes. Operadores relatam que houve entrada de fluxo externo nesta quinta-feira, de captações externas, que já encostam em US$ 7 bilhões, e para aplicações na Bolsa, que superou nesta tarde os 119 mil pontos pela primeira vez, batendo novo recorde histórico. Com isso, o mercado doméstico passou ao largo do clima de cautela visto no exterior, com renovados temores sobre a disseminação do coronavírus, que primeiro foi visto na China e já atinge outros oito países. O dólar à vista fechou em queda de 0,21%, a R$ 4,1664.

O real foi a segunda divisa que mais ganhou valor ante o dólar no mercado internacional, em uma cesta de 34 divisas.

Profissionais das mesas de câmbio relatam ainda que a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial em Davos, mostrando compromisso em andar com as reformas, também foi bem vista nas mesas de câmbio hoje. “Claramente no ano passado, o Brasil estava no inferno. Saímos do inferno e agora fomos recebidos aqui com muito reconhecimento”, disse o ministro a jornalistas hoje, relatando que durante encontros fechados com governos e empresas esteve “no centro das atenções”.

Para o gerente da mesa de Operações BMF da Planner Corretora, Marcio Simões Rodrigues, inicialmente o IPCA-15 mais pressionado deu um pouco de alívio no câmbio, pois reforçou a visão no mercado de câmbio de que os juros poderiam ser mantidos em 4,50% pelo Banco Central. Além disso, um movimento de fluxo e notícias da participação de Guedes em Davos ajudaram o real a andar na contramão de outras moedas hoje. Na avaliação de Rodrigues, o dólar pode testar níveis mais baixos nos próximos dias, mais perto dos R$ 4,10, especialmente na semana que vem, com o vencimento do referencial Ptax de janeiro.

O ambiente político doméstico, na avaliação do Banco Mizuho hoje, parece mais estável que no passado recente, sugerindo espaço para aprovar as reformas liberais de Guedes. Além disso, a popularidade de Jair Bolsonaro aumentou recentemente, o que abre espaço para otimismo com o avanço da agenda. O banco prevê que o dólar deve encerrar o ano em R$ 4,00.

Declarações da Organização Mundial da Saúde (OMS) na tarde de hoje também ajudaram a reduzir o clima de aversão ao risco no mercado. A instituição informou que ainda não há evidência de transmissão do coronavírus por contato humano fora da China. A avaliação da consultoria inglesa Capital Economics é que é pouco provável que o coronavírus tenha impacto relevante no crescimento da economia mundial. O dólar, porém, ganhou força ante divisas fortes e emergentes. A moeda americana subiu 0,87% na Colômbia, que passa por nova onda de manifestações, 0,68% no Chile e 0,48% na África do Sul.

Ibovespa

De vilãs do mês a heroínas do dia, as ações de bancos, muito descontadas, foram o fator decisivo para impulsionar o Ibovespa a novas máximas históricas, no intradia e no fechamento, pulverizando marca que havia sido renovada na segunda-feira e elevando-o, agora, acima dos 119 mil pontos. O principal índice da B3 fechou a sessão em alta de 0,96%, a 119.527,63 pontos, tendo alcançado os 119.534,80 pontos na máxima, superando ambas, com folga, o recorde anterior, de 118.861,63 pontos, atingido no fechamento do dia 20.

O giro financeiro totalizou R$ 25,3 bilhões, com o Ibovespa acumulando agora ganho de 0,89% na semana e de 3,36% no mês. “As ações de bancos estavam muito atrasadas, então é natural que tenham liderado o dia, pelos descontos que oferecem”, diz Ari Santos, gerente da mesa Ibovespa da Commcor, acrescentando que, pelo peso que o segmento possui no Ibovespa (24%), o índice tende a chegar aos 122 mil pontos se as ações de bancos neutralizarem as perdas no ano que acumulam até o momento.

Segunda maior alta do dia na carteira teórica, Banco do Brasil ON subiu hoje 5,62%, cedendo, no entanto, 2,54% este ano. Itaú Unibanco PN avançou nesta quinta-feira 2,37%, acumulando agora perda de 6,97% em janeiro, enquanto a unit do Santander ganhou hoje 1,96%, perdendo ainda 5,96% no mês. Hoje, a preferencial do Bradesco fechou em alta de 2,64% no fechamento, mas ainda acumulando perda de 4,27% no mês.

As perdas significativas acumuladas pelo segmento no mês levaram mesmo tesourarias de bancos estrangeiros a comprar ações de bancos brasileiros nesta sessão, apontam operadores. Assim, com apoio estrangeiro, o Ibovespa conseguiu se desgarrar do exterior, ainda contido pelas preocupações sobre o coronavírus, em meio a cerco crescente para evitar a disseminação da doença pela China e fora do país.

As commodities, como minério de ferro e petróleo, foram pressionadas abaixo, afetando em especial as ações da Vale, que fecharam em baixa de 1,42%, ante os temores sobre a segunda maior economia, grande consumidora de insumos. Apesar de nova queda acentuada do Brent (-1,85%), a ação da Petrobras conseguiu mudar de sinal e fechar o dia em alta, com a preferencial a +1,06% e a ON a +0,68% no encerramento, em dia no qual a empresa anunciou cortes de preços nas refinarias para a gasolina (-1,5%, em média) e o óleo diesel (-4,1%).

Embora não tenha trazido elementos novos, a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, em Davos, foi monitorada. Ele reiterou o compromisso com a progressão das reformas no Brasil, o que contribuiu para a indução de compras de ações, em momento no qual os agentes aguardavam novos sinais de Brasília sobre a agenda para o ano, ainda muito lenta em janeiro com o Congresso em recesso – e em ano legislativo na prática mais curto, em razão das eleições municipais.

“O dia foi de atenção aos fundamentos, com as compras sendo animadas pelo Guedes”, diz Marco Tulli, superintendente das mesas de operação da Necton, notando atuação também de estrangeiros entre os compradores. A sessão começou de forma bem ruim para o Ibovespa, espelhando o mau humor no exterior frente ao coronavírus. Com os mercados do exterior ainda auscultando os possíveis efeitos, sobre a China e a economia global, de eventual disseminação da doença, o Ibovespa começou a se descolar do mau humor ainda no início da tarde, por volta das 13h30.

Ao final, em dia negativo nos mercados europeus, os índices acionários de Nova York praticamente neutralizaram as perdas, para fechar a sessão em torno da estabilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou hoje não haver evidências de transmissão por contato humano fora da China do novo tipo de coronavírus, que já infectou 600 pessoas no país asiático, com 18 mortes confirmadas.

Juros

Os juros futuros desaceleraram a alta na etapa da tarde, influenciados por entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, lida pelo mercado como ligeiramente “dovish”. O dirigente disse estar tranquilo com as projeções de inflação e que o choque de carnes vai se “dissipar mais rápido”. Isso tudo depois de o IPCA-15 desacelerar para 0,71%, mas ter núcleos que mostraram alguma resistência dos preços.

Campos Neto disse ao Valor que a inflação de 2019 não influenciou a tendência de preços. “A gente consegue ver o preço de carne caindo bastante e nós seguimos tranquilos com as nossas projeções, como tem sido indicado nos nossos diversos relatórios”, afirmou, em referência ao choque de proteínas no fim de 2019.

“A entrevista do Campos Neto deu um viés ligeiramente ‘dovish’ ao mercado nesta tarde”, comentou o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal. “O mercado olhou muito o núcleo de serviços mais cedo, que veio um pouco azedo, mas ele pode ser contaminado pelo preço da alimentação fora de casa.”

A média dos núcleos e os serviços subjacentes aceleraram no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de janeiro ante dezembro, mostram os cálculos do Haitong Banco de Investimento. Segundo o economista-chefe Flávio Serrano, a variação de 0,45% da média dos núcleos é a maior desde fevereiro de 2017, quando subiu 0,52%. No caso dos serviços subjacentes, a taxa é a mais elevada desde fevereiro de 2016 (0,86%).

No caso dos serviços subjacentes, o avanço foi de 0,49% para 0,78%, superando também o teto das estimativas do levantamento do Projeções Broadcast, cujo intervalo ia de 0,30% a 0,69%. “Foi por causa de alimentação fora do domicílio (0,79% para 0,99%)”, afirmou Serrano. Nos cálculos dele, a precificação de corte da Selic ficou entre 65% e 70%. Ontem, havia superado os 70%.

Na entrevista, Campos Neto reforçou que o Banco Central vai analisar todos os dados. Mas acrescentou que é “superimportante analisar que há alguns elementos inflacionários que obviamente acabam não se incorporando nos núcleos, ou seja, eles são fatores passageiros”. O mercado espera ainda as falas do presidente do BC em evento da XP, amanhã de manhã.

Desta forma, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu da mínima histórica de 4,340% do ajuste de ontem para 4,365% hoje na regular e 4,370% na estendida. No começo da tarde, antes das falas de Campos Neto, a taxa estava em 4,410%. O janeiro 2023 subiu de 5,540% para 5,570% (regular e estendida). O janeiro 2025 foi de 6,300% para 6,320% (regular e estendida). E o janeiro 2027 passou de 6,700% para 6,710% (regular) e 6,720% (estendida).

Correio do Povo




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