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domingo 21 Janeiro 2018
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Dono de apartamento deve pedir registro de visitas de amigo de Lula em hospital

Comprovantes afirmariam pagamento de aluguel da residência

Dono de apartamento deve pedir registro de visitas de amigo de Lula em hospital  | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP Memória

Dono de apartamento deve pedir registro de visitas de amigo de Lula em hospital | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP Memória

A defesa do engenheiro Glaucos da Costamarques avalia pedir ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, os registros de entrada do advogado Roberto Teixeira e do contador João Muniz Leite no local. Os dados têm como objetivo contestar os recibos entregues pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, que na versão do petista, comprovariam o pagamento de aluguéis do apartamento 121 do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo (SP), investigado na Operação Lava Jato.

Na segunda-feira, a defesa de Lula entregou os recibos. Os comprovantes apresentados referem-se ao período de agosto de 2011 a novembro de 2015. Duas notas têm datas que não existem no calendário: 31 de junho e 31 de novembro.

Segundo a defesa de Glaucos, os comprovantes referentes a 2015 foram assinados de uma só vez pelo engenheiro durante o período em que ele estava internado no Hospital, em novembro daquele ano. Os recibos, afirma, foram levados por João Muniz Leite, a pedido de Roberto Teixeira.

O apartamento 121, ocupado por Lula, é um dos alicerces da segunda denúncia do Ministério Público Federal, do Paraná, contra o petista. O imóvel teria sido adquirido pela empreiteira Odebrecht, por meio de Glaucos – suposto laranja do ex-presidente no negócio -, como forma de propina a Lula, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015.

Na terça-feira, Glaucos reafirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que é “verdadeiro” o que disse ao juiz federal Sérgio Moro. Em 6 de setembro, Glaucos afirmou em interrogatório perante o juiz Moro que não recebeu aluguéis pelo apartamento 121, mas que declarou à Receita que houve pagamento. “Não recebi”, disse taxativamente.

A Moro, o engenheiro afirmou que passou a receber o aluguel em 2015. Glaucos disse que Roberto Teixeira o procurou em novembro daquele ano quando ele estava hospitalizado. “O Roberto Teixeira esteve lá no hospital me falando: ‘olha, nós vamos pagar. De hoje em diante, nós vamos pagar o aluguel pra você’. Começaram a pagar. Começaram a pagar com um depósito na conta que eu passei, depósito no Santander. Mas não identificado. Eu acho que eles depositavam naqueles envelopes e aquele envelope tem um limite pra depósito. Acho que eles faziam em três. Então, aparecia lá, era, vamos supor, três mil, vamos por, não lembro quanto era o aluguel naquela época, três mil e trezentos, vamos supor. Eles punham um envelope de dois, um de mil e outro de oitocentos”, narrou.

O juiz da Lava Jato questionou Glaucos se Roberto Teixeira deu alguma explicação para começar a pagar. “Eu não me recordo. Mas eu lembro que o José Carlos foi preso. Eu entrei no dia 22 de novembro no hospital. Dia 23 ele foi preso. Eu lembro da data por causa do hospital. E ele esteve lá no hospital no fim do mês de novembro”, contou.

Defesas

A reportagem procurou o contador João Muniz Leite e a defesa de Roberto Teixeira, mas ainda não obteve retorno. Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirmou: “Em relação a reportagens veiculadas hoje (28/09) sobre os recibos de aluguel apresentados em 25/09, a defesa do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva esclarece que:

1- A Defesa do ex-Presidente Lula juntou aos autos o contrato de locação firmado entre o Sr. Glaucos e D. Marisa e recibos de pagamento de aluguéis relativos a esse contrato, tais como foram localizados após os questionamentos apresentados na audiência realizada em 13/09.

2- Os recibos dão quitação em relação aos aluguéis até dezembro de 2015. Não há qualquer questionamento em relação às assinaturas que constam no documento. A quitação é a prova mais completa de pagamento, de acordo com a lei.

3- Se houver qualquer dúvida em relação aos recibos, poderão eles ser submetidos a uma prova pericial. A Defesa do ex-presidente Lula tem absoluta tranquilidade de que os documentos guardados por D. Marisa revelam a expressão da verdade dos fatos.

4- Em nenhum outro documento encaminhado pelo Sr. Glaucos a D. Marisa consta o registro de débitos em relação a aluguéis, confirmando a quitação declarada nos recibos.

5- O que causa estranheza é que todas as provas requeridas pela Defesa para demonstrar que não existe qualquer valor proveniente da Petrobras envolvido no caso tenham sido indeferidas, inclusive por meio de decisão proferida ontem. A ação passou a ter como único foco uma relação privada de locação desde a audiência realizada em 13/09.”

Correio do Povo




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