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sexta-feira 19 Janeiro 2018
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Dólar cai e bolsa sobe com reforma trabalhista e condenação de Lula

Moeda fechou no menor nível desde a divulgação das gravações do caso JBS

Nota fechou no menor nível desde a divulgação das gravações do caso JBS | Foto: AFP / CP Memória

Nota fechou no menor nível desde a divulgação das gravações do caso JBS | Foto: AFP / CP Memória

Uma conjunção de fatores levou o dólar a fechar no patamar de R$ 3,20, o menor nível desde a divulgação das gravações do caso JBS. A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro fez com que a moeda norte-americana renovasse mínimas diversas vezes durante à tarde. O movimento de queda já vinha desde cedo depois da aprovação da reforma trabalhista com placar folgado e da sinalização da presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, de que os juros nos Estados Unidos deverão subir de forma mais espaçada.

Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, e é a primeira condenação do ex-presidente na Operação Lava Jato. Embora ela não seja suficiente para barrar a candidatura de Lula para 2018, uma vez que é necessária uma sentença em segunda instância, o ato em si mostra um enfraquecimento do ex-presidente para as eleições do ano que vem, e foi essa percepção que agradou aos investidores. “A chance de Lula concorrer à eleição no próximo ano diminui bastante”, pontuou Bruno Foresti, gerente de câmbio do banco Ourinvest.

Outros fatores também contribuíram para que a divisa norte-americana fechasse em baixa pelo quarto dia consecutivo. Logo na abertura, o mercado comemorou a aprovação da reforma trabalhista por 50 votos favoráveis e 26 contra, “o que gerou certo otimismo quanto à aprovação da reforma previdenciária, uma vez que o governo mostrou mais força do que o mercado estava esperando”, disse Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria do Grupo Confidence.

A queda generalizada do dólar frente moedas emergentes e a maioria das divisas principais foi outro fator que exerceu pressão internamente. Hoje, Yellen reequilibrou as apostas de investidores em relação ao futuro da política monetária nos EUA, com discurso mais voltado a uma taxa de juros neutra e chamando atenção para a fraqueza da inflação e balanço de ativos, o que alimentou apetite ao risco. O avanço do petróleo também ajudou o real a se valorizar.

O gerente de câmbio do Grupo Confidence lembrou que embora o clima esteja melhor, a cautela ainda existe pelas incertezas quanto à reforma da Previdência e a possibilidade de “surpresas no meio do caminho como uma ‘notícia bomba'”. Sem falar nos riscos em torno da situação crítica das contas públicas.

No mercado à vista, o dólar terminou em baixa de 1,36%, aos R$ 3,2090, o menor nível desde 17 de maio, dia em que houve a divulgação das gravações da JBS envolvendo Temer. O giro financeiro somou 1,39 bilhão de dólares. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,2054 (-1,47%) e, na máxima, aos R$ 3,2414 (-0,36%). No mercado futuro, o dólar para agosto caiu 1,47%, aos R$ 3,2210. O volume financeiro movimentado foi de US$ 17,50 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,2175 (-1,57%) a R$ 3,2545 (-0,44%).

Bovespa

A condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro deu impulso ao Índice Bovespa, que teve sua terceira alta consecutiva e atingiu o maior patamar desde 17 de maio, quando foi deflagrada a atual crise política. O indicador, que já operava em alta no momento da notícia, ganhou força rapidamente e terminou esta quarta-feira, 12, em alta de 1,57%, aos 64.835,55 pontos. O volume de negócios também mostrou reação e somou R$ 9,95 bilhões, o maior em quase um mês.

Lula tinha 30% das intenções de voto em junho 

Lula foi condenado em primeira instância a nove anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no processo sobre a propriedade do tríplex no Guarujá. Em sua decisão, Sérgio Moro ainda proibiu o ex-presidente de assumir cargos ou funções públicas. A condenação foi recebida no mercado como um obstáculo concreto à candidatura do petista, que lidera as pesquisas eleitorais para 2018. Segundo levantamento do Datafolha publicado em 26 de junho, Lula tinha 30% das intenções de voto, quase o dobro da segunda colocação. Para que haja inelegibilidade, é necessária a confirmação da condenação em segunda instância.

A alta foi generalizada na bolsa, mas privilegiou principalmente as ações que melhor refletem a percepção de risco político. Foi o caso dos papéis da Petrobras, que já acompanhavam a alta do petróleo, mas ganharam fôlego extra depois da notícia. No fechamento, Petrobras ON e PN tiveram ganhos de 3,90% e 4,95%, respectivamente. Banco do Brasil ON, outra ação sensível ao noticiário político, subiu 2,85%.

Segundo operadores ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, a notícia favorece o mercado de ações principalmente pelo lado do investidor estrangeiro, por indicar possibilidade de menor risco político em 2018 e por fortalecer a credibilidade do País.

“O investidor estrangeiro não gosta de incertezas no cenário. A possibilidade de um novo governo petista seria vista como um sinal de mais volatilidade à frente”, disse Roberto Indech, analista da Rico Corretora. “Se Lula vence as eleições e retorna à Presidência, a mensagem para o investidor estrangeiro é de falta de credibilidade do País. A condenação, ainda que em primeira instância, é portanto uma sinalização de credibilidade”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

Entre as 59 ações que fazem parte da carteira teórica do índice, apenas empresas exportadoras fecharam em queda, influenciadas pela forte desvalorização do dólar. Embraer ON (-2,32%), Fibria (-2,05%) e units da Klabin (-1,70%).

Taxas de juros 

Os juros futuros fecharam em baixa consistente ao longo de toda a curva nesta quarta-feira, repleta de fatores a estimular a devolução de prêmios nos principais contratos. Pela manhã, o mercado já reagia positivamente ao placar folgado de aprovação da reforma trabalhista na véspera no Senado. À tarde, o movimento de queda das taxas ganhou reforço após a notícia de que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em primeira instância.

Ao final da sessão regular, a taxa do contrato de outubro de 2017 (198.010 contratos) fechou em 9,210%, de 9,255% no ajuste de terça-feira, 11, e a taxa do DI janeiro de 2018 (170.235 contratos) caiu de 8,775% para 8,720%. A taxa do DI janeiro de 2019 (290.605 contratos) fechou em 8,64% – piso para este contrato em termos absolutos, ou seja, sem descontar a chamada taxa de carrego – ante 8,73% no ajuste de ontem. A taxa do DI janeiro de 2021 (274.730 contratos) encerrou a 9,76%, de 9,96%.

Correio do Povo




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