Lula diz que vai à Bolívia apoiar Arce e vincula tentativa de golpe a reservas de lítio do país
Presidente vinculou interesses econômicos internacionais em recursos minerais a tentativas de golpe de Estado que marcam a história do país

| Foto: Ricardo Giusti
Lula vinculou interesses econômicos internacionais em recursos minerais bolivianos a tentativas de golpe de Estado que marcam a história do país andino. A tese do interesse de empresas estrangeiras, notadamente dos EUA, circula sem provas entre políticos de esquerda aliados de Lula e de Arce.
A quartelada de quarta-feira, 26, não contou com o apoio nem da oposição de direita boliviana, liderada por Fernando Camacho e Jeanine Añez, nem da comunidade internacional, que defendeu a integridade constitucional do país.
“A Bolívia é um país que tem muitos interesses internacionais focados lá porque é a maior reserva de lítio do mundo. E tem outros minerais críticos de muita importância, além de ter gás. É preciso que a gente tenha em mente que tem interesse de dar golpe”, afirmou Lula, em entrevista à rádio Itatiaia. “E eu sou contra golpe, sou favorável à democracia, por isso vou lá para fortalecer o Luis Arce, fortalecer a democracia e mostrar aos empresários que é importante manter a Bolívia governada democraticamente.”
Apoio a Arce
O presidente disse que sem um governo democrático a Bolívia não seria aceita no Mercosul. O país está em fase final de adesão bloco. Em 2017, a Venezuela foi suspensa por ruptura da ordem democrática pelo ditador Nicolás Maduro.
Falando em portunhol, Lula disse: “Estarei dia 9 em Santa Cruz de La Sierra. Quero fazer uma reunião muito grande com os empresários bolivianos. Quero mostrar para aquela gente que somente a democracia é capaz de permitir que a Bolívia cresça”.
O presidente disse que vai mostrar ao presidente Arce os projetos de interligação bioceânicos com obras de infraestrutura, principalmente portos, estradas ferrovias, que podem tirar a Bolívia do isolamento do mar e permitir aos produtos fabricados no país e no Brasil chegar à Ásia e à China em menor tempo.
O presidente disse ser amigo tanto de Arce quanto de Evo Morales e “conhecer bem” ambos, antes de terem se tornado presidentes. Arce foi ministro da Economia no governo Evo e elegeu-se com o apoio dele, mas atualmente ambos rivalizam e disputam internamente no Movimento ao Socialismo por uma candidatura presidencial em 2025.
Correio do Povo