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sexta-feira 9 janeiro 2026
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Ele odiava o trabalho. Então pedalou para fora da própria vida — e só voltou 50 anos depois.

Pode ser uma imagem em preto e branco de bicicletaWie der Hövelhofer Heinz Stücke die Welt mit dem Fahrrad ...Ele odiava o trabalho. Então pedalou para fora da própria vida — e só voltou 50 anos depois.
Em novembro de 1962, um jovem operário alemão chamado Heinz Stücke tomou uma decisão que parecia loucura.
Todas as manhãs, antes do sol nascer, ele arrastava-se para fora da cama para apanhar o comboio rumo a uma fábrica de ferramentas. A monotonia esmagava-o. A pequena Hövelhof parecia cada vez mais estreita, como se as paredes estivessem a fechar-se à sua volta.
Então, um dia, ele simplesmente parou.
Despediu-se do emprego, subiu numa bicicleta barata de três velocidades e começou a pedalar para longe de tudo o que conhecia — quase sem dinheiro, sem patrocínio, sem mapa, sem plano.
O objetivo inicial era modesto: conhecer a Europa. Talvez chegar a Tóquio a tempo dos Jogos Olímpicos de 1964.
Ele chegou a Tóquio… em 1971.
Sete anos atrasado. E completamente transformado.
Nessa altura, Heinz percebeu algo decisivo: não queria voltar.
Cada fronteira cruzada abria outro mundo. Cada estranho que o ajudava devolvia-lhe a fé na humanidade.
E ele continuou.
Dias tornaram-se meses. Meses tornaram-se anos.
Anos tornaram-se décadas.
Heinz Stücke – vom Werkzeugmacher zum Rekord-FahrradfahrerPedalou por desertos em chamas e tempestades de neve.
Por zonas de guerra e aldeias esquecidas.
Subiu montanhas, atravessou costas infinitas, dormiu onde a noite o apanhava.
A sua bicicleta foi roubada seis vezes — ele recuperou-a sempre.
Foi soldada dezasseis vezes.
Sobreviveu a ser atropelado por um camião no Chile.
Foi baleado no pé na Zâmbia.
Espancado por soldados no Egito.
E mesmo assim, nunca desistiu.
Para sobreviver, tirava fotografias — mais de 100 mil. Criava postais e panfletos à mão e vendia-os a desconhecidos que, muitas vezes, se tornavam amigos.
“Eu confio em toda a gente”, dizia.
“Se não confiasse, nunca conseguiria dar a volta ao mundo.”
Em 1995, o Guinness Book reconheceu Heinz Stücke como a pessoa que mais viajou de bicicleta na história.
Mas os recordes nunca lhe interessaram.
O que importava era o que ele aprendeu em aldeia após aldeia, país após país:
as pessoas, em qualquer lugar do planeta, partilham as mesmas esperanças, a mesma bondade, a mesma sede de ligação humana.
As manchetes mostram um mundo dividido.
Heinz viveu um mundo unido.
Depois de 50 anos, 648.000 quilómetros e 196 países, ele voltou finalmente a Hövelhof — a cidade de onde tinha partido meio século antes.
UMA VIAGEM DE BICICLETA QUE DUROU 52 ANOS | Gasolina na VeiaHoje, aos 85 anos, vive num pequeno apartamento tranquilo. A sua bicicleta descansa num museu.
Quando lhe perguntam se se arrepende de alguma coisa, a resposta é sempre a mesma:
Nenhuma.
Ele viveu exatamente como sonhou.
E provou algo que todos nós precisamos ouvir:
As maiores paredes não estão nos mapas.
Estão nos medos, nas dúvidas e nas desculpas que construímos dentro da nossa própria mente.
Heinz Stücke não deu apenas a volta ao mundo de bicicleta.
Ele mostrou que a estrada está sempre aberta —
para qualquer pessoa suficientemente corajosa para dar o primeiro pedal.



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