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domingo 18 Fevereiro 2018
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Vazamentos seletivos de delações preocupam Planalto

Temer teve reunião com FHC para tratar de Alexandre de Moraes no STF

Temer teve reunião com FHC para tratar sobre Alexandre de Moraes no STF | Foto: Beto Barata / Presidência da República / Divulgação / CP memória

Temer teve reunião com FHC para tratar sobre Alexandre de Moraes no STF | Foto: Beto Barata / Presidência da República / Divulgação / CP memória

O governo está preocupado com a possibilidade de vazamentos seletivos das delações de 77 executivos e ex-diretores da Odebrecht. As colaborações premiadas foram homologadas nesta segunda-feira, 30, pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, e, a partir de agora, a Procuradoria-Geral da República vai decidir quem será alvo de inquéritos e as investigações que ainda precisam ser aprofundadas.

O Palácio do Planalto vive momentos de tensão, às vésperas da disputa para a presidência da Câmara e do Senado, marcadas para amanhã e quinta-feira. Embora auxiliares do presidente Michel Temer tenham recebido com alívio a notícia de que Cármen Lúcia manteve o sigilo, há receio de que, enquanto as delações ainda estiverem com o Ministério Público Federal, trechos dos depoimentos possam ser divulgados “parcialmente”, prejudicando o governo.

Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Congresso, o comentário é o de que as delações atingem cerca de 200 políticos de vários partidos – muitos dos quais do PMDB e de outras legendas que compõem a base aliada de Temer -, além de integrantes do chamado “núcleo duro” do Executivo.

O discurso oficial no governo é o de que a Lava Jato não terá o poder de obrigar o presidente a produzir uma ampla reforma ministerial. Até agora, são esperadas apenas a nomeação do líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), para a Secretaria de Governo, no lugar de Geddel Vieira Lima, e a efetivação de Dyogo Oliveira no Ministério do Planejamento.

Impacto

Assessores de Temer admitem, porém, que os desdobramentos das delações são imprevisíveis. Há apreensão com os efeitos da turbulência política sobre a economia. A imagem que se usa no Palácio do Planalto para definir o próximo período é a de uma “travessia em mar revolto”.

Na delação feita à força-tarefa da Lava Jato, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho citou o próprio Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco. Na lista de políticos mencionados por ele também aparecem os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O deputado do DEM concorre à reeleição com o aval do Planalto.

“A Lava Jato tem de cumprir o seu papel e o governo tem de governar. De preferência, bem”, disse Padilha ao Estado, sem querer comentar as declarações de Melo Filho, que o acusou de ser “preposto” de Temer na distribuição de dinheiro para campanhas eleitorais.

Temer pretende indicar o novo ministro do Supremo depois de Carmen Lúcia escolher quem substituirá Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato no Supremo. Teori morreu em acidente aéreo, no dia 19, e amanhã receberá homenagem dos colegas na primeira sessão do Supremo após o recesso.

Em conversas reservadas, o presidente tem dito que não indicará alguém que desagrade a Carmen Lúcia nem à opinião pública. Temer quer, com isso, transmitir a mensagem de que não interferirá nos rumos da Lava Jato.

FHC

A sucessão no Supremo foi um dos assuntos da conversa entre Temer e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso há quatro dias, em São Paulo. Filiado ao PSDB, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, está na lista dos cotados para ocupar a cadeira de Teori. Desembargadores do Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém, defendem um integrante da corte para a vaga.

A indicação do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, perdeu força depois que foram divulgados artigos escritos por ele com posições consideradas machistas. Martins Filho disse que os trechos foram “descontextualizados”.

Correio do Povo