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segunda-feira 14 outubro 2019
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Equador tem invasão do Congresso e presidente pede mediação da ONU

Mais de 10 mil pessoas preparam grande manifestação no país após alta dos combustíveis

Confrontos já deixaram dois mortos no país

Confrontos já deixaram dois mortos no país 

Manifestantes ligados à Conferência Nacional Indígena do Equador (Conaie) invadiram nesta terça-feira o prédio da Assembleia Nacional em Quito, horas depois de o presidente Lenín Moreno transferir a sede do governo para Guayaquil, no litoral, em razão do caos instaurado na capital. Os indígenas, uma das principais forças políticas do país, tomaram o edifício aos gritos de “Fora, Moreno!” e foram retirados pela polícia minutos depois.

O prédio foi invadido depois de os manifestantes romperem grades de proteção na entrada principal. Os líderes da Conaie pediram aos manifestantes, muitos deles jovens, que não entrassem em confronto. Segundo testemunhas, a polícia cercou o quarteirão da Assembleia e disparou bombas de gás lacrimogêneo.

Mais de 10 mil pessoas se concentram em Quito à espera de uma grande manifestação contra o presidente. Moreno ofereceu o “diálogo” aos indígenas, mas eles dizem que somente conversarão depois da mobilização. Acuado, o governo afirmou que aceitaria a mediação da ONU ou da Igreja Católica. “A única resposta é diálogo e firmeza ao mesmo tempo”, disse o secretário da presidência, Juan Sebastián Roldán, a uma rádio local. “Não temos problema em aceitar a mediação sugerida pela ONU, por alguns membros da Igreja e reitores (das universidades).”

Foi registrada a segunda morte de manifestante na onda de protestos. Segundo o governo, 570 pessoas já foram presas. A crise no Equador tomou novas dimensões no sexto dia de protestos. Diante da chegada à capital de milhares de indígenas que rejeitam o fim dos subsídios aos combustíveis decretado pelo presidente, Moreno decidiu transferir a sede do governo de Quito para Guayaquil, com base no estado de exceção decretado na semana passada para tentar sufocar a rebelião.

Com o estado de exceção – que em princípio foi decretado por 60 dias, mas que a Corte Constitucional restringiu para apenas 30 -, os militares foram enviados às ruas e o governo pode limitar direitos e impor censura prévia à imprensa. Os protestos contra Moreno começaram no dia 3, depois de o governo anunciar o corte de subsídios para combustíveis como parte de uma reforma econômica prevista em acordo de empréstimo de US$$ 4,2 bilhões do FMI. Sem os subsídios, que nas últimas quatro décadas drenaram US$ 60 bilhões do Estado, os preços dos combustíveis subiram até 123%.

Os protestos contra o aumento do preço dos combustíveis levaram à invasão de três campos petrolíferos do Equador, na noite de segunda-feira, fazendo com que a estatal Petroamazonas suspendesse as operações. Segundo o ministro das Relações Exteriores, José Valencia, o prejuízo chega a 53 mil barris de petróleo e três suspeitos foram presos.

Opositor nega articulações

Rafael Correa, ex-presidente do Equador, negou nesta terça que esteja orquestrando um golpe contra Moreno em seu exílio voluntário na Bélgica. Nesta terça, o presidente também acusou Correa de tentar derrubá-lo com ajuda do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “São tão mentirosos que se contradizem. Dizem que sou tão poderoso que, de Bruxelas, com um iPhone, poderia liderar os protestos. Estão mentindo”, disse Correa à agência Reuters. “As pessoas não aguentavam mais, esta é a verdade”, disse, referindo-se às medidas de austeridade de Moreno.

Nesta terça, sete países latino-americanos anunciaram apoio a Moreno e rejeitaram “toda ação” de Maduro para desestabilizar o Equador. “Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Peru e Paraguai manifestam seu profundo rechaço a toda tentativa de desestabilizar os regimes democráticos legitimamente constituídos e expressam seu firme apoio a todas as ações empreendidas pelo presidente Lenín Moreno”, diz a nota divulgada em Bogotá.

Correa, que tem uma ordem de captura no Equador pela acusação de corrupção, relatou estar disposto a voltar a seu país se novas eleições forem convocadas. Os dois, Moreno e Correa, nem sempre estiveram em lados opostos. Quando foi eleito, em 2017, o atual presidente tinha apoio de Correa. Logo em seguida, Moreno rompeu com seu padrinho político e se afastou do ideal bolivariano.

Correio do Povo



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