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terça-feira 7 abril 2020
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Adiamento olímpico cria verdadeiro quebra-cabeça para organizadores

Complicações vão desde calendário de competições até hospedagem para conferir os jogosDecisão histórica de adiamento dos jogos foi anunciada nesta terça-feira

Decisão histórica de adiamento dos jogos foi anunciada nesta terça-feira 

A histórica decisão tomada nesta terça-feira para adiar por um ano os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 devido à pandemia do novo coronavírus apresenta novos desafios para os organizadores.”Adiar os Jogos Olímpicos não é como reagendar uma partida de futebol para o próximo sábado”, previa no último fim de semana Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), em referência à magnitude da situação. Seguem alguns exemplos para dar uma ideia da amplitude do quebra-cabeça que os organizadores olímpicos terão pela frente:

Calendário das competições

Tudo depende das novas datas que ainda serão definidas, mas encaixar Jogos Olímpicos em uma agenda esportiva de 2021 já sobrecarregada é um pesadelo logístico para o próximo verão boreal (Hemisfério Norte): estão agendados Mundiais de atletismo e natação, além da Eurocopa e a Copa América de futebol, que também foi adiada para 2021.

A lenda americana do atletismo Carl Lewis sugeriu organizar os Jogos de Tóquio em 2022, mesmo ano dos Jogos de Inverno de Pequim, para criar “um ano de celebração olímpica”, mas esta opção foi descartada e o evento acontecerá em 2021. As Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) e Natação (Fina) já anunciaram suas predisposições a colaborar para criar um espaço no calendário para os Jogos, modificando as datas de seus respectivos Mundiais de 2021, previstos em Eugene (Estados Unidos) e Fukuoka (Japão), respectivamente.

Gestão das sedes

Para os Jogos de Tóquio, estão previstas 43 instalações-sede, algumas construídas para o evento e temporárias, outras com fins diversos pós-Olimpíada. Mas todas deverão ter problemas com o adiamento. De acordo com o COI, “vários locais indispensáveis para os Jogos poderão estar indisponíveis em outras datas futuras”. É o caso do novo Estádio Olímpico de Tóquio, com capacidade para 68 mil espectadores, que receberia shows e outras competições esportivas após os Jogos. Eventos que terão que ser reagendados ou cancelados.

A infraestrutura esportiva não é a única afetada. Os organizadores reservaram também para julho e agosto o imponente Tokyo Big Sight, um imenso centro de convenções e exposições, para usá-lo como gigantesca sala de imprensa durante os Jogos. O local, um dos maiores centros de convenções da Ásia, precisa ser reservado com vários meses de antecedência. Encontrar datas livres ou convencer os organizadores de outros eventos a mudarem seus planos não é tarefa das mais fáceis.

A Vila Olímpica

Composta por 21 torres de 14 a 18 andares, a Vila Olímpica foi construída em um terreno de grande valor imobiliário, com vistas para a baía de Tóquio e a famosa Rainbow Bridge. Ao fim dos Jogos Olímpicos, o plano era transformar os milhares de quartos em apartamentos de luxo para serem vendidos ou alugados para a população japonesa.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, 4.145 apartamentos devem ser vendidos. Em um primeiro lote com 940 unidades colocados à venda em 2019, a maior parte já foi adquirida, segundo a imprensa local. O adiamento significa um atraso na transformação do local e coloca em dúvida contratos de propriedade já assinados.

Hospedagem

“A questão das milhões de noites já reservadas nos hotéis é muito difícil de administrar”, lembrou recentemente o COI. Os quartos de hotel em Tóquio estão em sua maioria reservados há meses, o que obrigou a muitos turistas a pagarem importantes valores de entrada, um dinheiro que pode não ser reembolsado. Para o setor hoteleiro, o cenário do adiamento representa uma dúvida a mais em um contexto turístico já catastrófico devido à pandemia do coronavírus.

Correio do Povo




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