Trump promete enfrentar qualquer ameaça contra os EUA e se vangloria de “virada histórica”
Rogério machado
Trump promete enfrentar qualquer ameaça contra os EUA e se vangloria de “virada histórica”
Presidente se dirigiu ao Congresso no chamado Estado da União
Foto : Andrew Caballero Reynolds / AFP / CP
Trump proferiu longo discurso ao Congresso
O presidente Donald Trump se vangloriou nesta terça-feira (24) de uma “virada histórica” dos Estados Unidos e advertiu que está disposto a responder a qualquer ameaça — o que inclui a América Latina —, segundo trechos de seu discurso sobre o Estado da União no Congresso dos Estados Unidos. Iniciado às 23h (em Brasília), o discurso anual promete ser longo, explicou o próprio mandatário antes de comparecer ao Congresso, onde dezenas de democratas boicotaram o evento em protesto contra sua política anti-imigratória.
“Estamos restaurando a segurança e a dominação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, atuando para proteger nossos interesses nacionais e defender o nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da ingerência estrangeira”, dirá Trump, segundo texto antecipado pela Casa Branca. “Durante anos, amplas porções de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, têm sido controladas por sanguinários cartéis do tráfico de drogas”, adverte o texto parcial.
Os Estados Unidos protagonizaram uma captura audaz de um presidente latino-americano, o venezuelano Nicolás Maduro, a primeira desde a prisão do panamenho Manuel Noriega em 1989. No fim de semana passado, os serviços de inteligência americanos tiveram papel decisivo para que o Exército mexicano localizasse e matasse Nemesio Oseguera, apelidado de “El Mencho”, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
“Depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que conseguimos uma transformação como nunca antes se tinha visto, e uma virada histórica”, deverá afirmar Trump no discurso. Além disso, o mandatário quer dar um tom histórico à fala no ano do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, que promete uma grande celebração em 4 de julho, de acordo com a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Há um ano, Trump prometeu o início de uma “era de ouro” para seu país, promessa frustrada pela inflação persistente, pela divisão política e pela crescente sombra da China. Trump imprimiu um ritmo frenético ao seu segundo e último mandato, com golpes espetaculares no exterior, como a captura de Maduro, e negociações difíceis, como o precário cessar-fogo em Gaza. Mas o presidente republicano chegou ao poder principalmente com o slogan “os Estados Unidos em primeiro lugar”, e essa promessa ainda não se concretizou.
O crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor que o do ano anterior; a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual); e apenas o emprego apresenta bom ritmo. Há um ano, Trump decidiu apostar boa parte de sua agenda econômica nas tarifas.
A Suprema Corte dos Estados Unidos acaba de derrubar essa política, que Trump justificou como uma “emergência nacional”, e lembrou ao presidente que, se quiser alterar as tarifas, precisa pedir a colaboração do Congresso, onde as negociações com os democratas estão bloqueadas.
Trump declarou-se “envergonhado” e acusou os seis juízes da Suprema Corte que votaram contra suas tarifas de serem “vendidos”. Nesta terça-feira, todos os magistrados do tribunal foram convidados a comparecer à Câmara, e essa presença poderá gerar controvérsia.