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Socorro silencioso da Brigada Militar salva até nove vidas por dia no RS

Socorro silencioso da Brigada Militar salva até nove vidas por dia no RS

Mais de 3 mil pessoas foram salvas por PMs em 2025 em atendimentos de emergência e ações de salvamento

Crianças engasgadas, vítimas de afogamento, feridos graves e pessoas em risco iminente. Situações extremas fazem parte da rotina silenciosa dos policiais militares da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Muito além do policiamento ostensivo, a Corporação atua diariamente também em um papel decisivo para a preservação da vida.

Em média, de oito a nove pessoas são salvas por dia em ações de prestação de socorro e salvamento realizadas pela BM. Ao longo do ano de 2025, esse trabalho resulta em 3.060 vidas preservadas em todo o Estado.

Em muitas ocorrências, os policiais militares são os primeiros a chegar ao local, especialmente quando o tempo é determinante para a sobrevivência da vítima. Crianças engasgadas, pessoas em afogamento, feridos por arma branca ou de fogo e vítimas de acidentes recebem, ainda no local, os primeiros atendimentos de urgência. As ações são realizadas por policiais treinados em Atendimento Pré-Hospitalar (APH), sempre que necessário.

Curso APH no Bope em 2025 – Foto: 2 BPChq

Vítimas amparadas

Essas ocorrências se repetem diariamente. Os números ajudam a dimensionar essa realidade: foram 2.570 atendimentos de prestação de socorro em emergências, somados a 490 salvamentos de pessoas, totalizando 3.060 atendimentos com preservação de vidas durante o ano de 2025. Isso representa uma média de 255 pessoas salvas por mês.

Em situações de desespero, a chegada da guarnição significa mais do que a presença do Estado, representa a chance concreta de sobrevivência, enfatiza o Comandante-Geral da Corporação, Coronel PM Cláudio dos Santos Feoli. Segundo ele, essa capacidade de resposta está diretamente ligada à formação contínua dos policiais militares. A Brigada Militar mantém, ao longo do ano, um amplo calendário de cursos voltados ao aperfeiçoamento técnico e profissional, destaca o comandante da instituição.

De forma imediata, os policiais iniciam procedimentos como a manobra de Heimlich, para desobstrução das vias aéreas, controle de hemorragias, estabilização de feridos e outras técnicas fundamentais, sempre que o cenário exigir tal ação. O atendimento segue até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a condução rápida ao hospital mais próximo, dependendo do caso.

Procedimentos decisivos

Um dos exemplos emblemáticos dessa atuação ocorreu durante uma ocorrência de violência doméstica, em Porto Alegre. Ao chegar ao local, uma guarnição do 1º Batalhão de Polícia Militar encontrou uma mulher caída ao solo, com múltiplos ferimentos causados por arma branca e intenso sangramento. A situação era crítica.

Enquanto o autor do crime era contido e preso em flagrante, os policiais iniciaram imediatamente o Atendimento Pré-Hospitalar. Foram aplicados torniquete no braço esquerdo, selo de tórax na região do peito, preenchimento com gaze hemostática na parte frontal e traseira do pescoço, além de sustentação com bandagem israelense.

Os procedimentos foram decisivos para conter as hemorragias e manter a vítima viva até a chegada do Samu. A mulher foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro em estado grave. O atendimento imediato fez a diferença.

Crianças em perigo

Casos assim não são exceção. Em outro atendimento que ilustra a rotina silenciosa de salvamentos, uma dupla de policiais militares, durante patrulhamento em Capão da Canoa, encontrou uma senhora em desespero, carregando uma criança de dois anos engasgada.

Sem hesitação, os policiais realizaram a manobra de Heimlich ainda na via pública. Após a desobstrução das vias aéreas, a menina foi encaminhada ao Hospital Santa Luzia, onde recebeu atendimento médico e retornou ao estado normal.

São apenas dois entre centenas de episódios que ajudam a explicar por que a Brigada Militar registra uma média diária de até nove vidas salvas. As ocorrências vão de engasgamentos e afogamentos a ferimentos graves. A maioria delas raramente ganha visibilidade, mas faz parte do cotidiano do policiamento.

Formação contínua

Um dos principais é o Curso de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate (APH-C), organizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). A capacitação segue protocolos internacionais de atendimento em cenários de alto risco (TCCC), com foco no controle de hemorragias, uso de torniquetes, curativos compressivos e atendimento em ambientes hostis a ser utilizados em Policiais Militares feridos, se o caso assim permitir, todavia, também aplicável em qualquer situação visando salvar vidas.

Simulação em Curso de APH – Foto: BM

A formação é contínua e descentralizada, alcançando batalhões em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, afirma o comandante-geral.

Além disso, os policiais que atuam no atendimento do 190 passam por qualificação específica no Curso de Operador do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). A Corporação também investe em atualização tecnológica e em cursos voltados a diversas áreas operacionais.

Em comum, todas essas formações reforçam um princípio que se materializa nas ruas e se traduz em números concretos: mais de 3 mil pessoas salvas em um ano, muitas delas nos primeiros minutos críticos, antes mesmo da chegada do atendimento especializado.

Em meio ao risco, à violência e à pressão constante, o policial militar do Rio Grande do Sul cumpre um papel que muitas vezes passa despercebido. Um trabalho silencioso, técnico e humano, que salva vidas todos os dias, conclui o Comandante-Geral da BM, Coronel PM Cláudio dos Santos Feoli.

Além do policiamento ostensivo:
Prestação de socorro e salvamento realizados pela BM
• 3.060 vidas preservadas no ano de 2025 no RS
• Média de 255 pessoas salvas por mês
• De 8 a 9 vidas salvas por dia
• 2.570 atendimentos de socorro em emergências
• 490 salvamentos diretos de pessoas
• Casos frequentes de crianças engasgadas e vítimas de afogamento
• Policiais treinados em Atendimento Pré-Hospitalar (APH)
• Cursos contínuos com protocolos internacionais (TCCC)
• Atendimento qualificado também no 190 (Copom)

Texto: jornalista Marcelo Miranda – SC PM5/Brigada Militar