Foto : Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
Mesmo depois da derrota histórica no Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que vai reenviar à Casa a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições. O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) ainda adota cautela sobre a possibilidade.
Nos últimos dias, Lula disse a aliados que está disposto a mandar a indicação de Messias novamente ao Senado e que fará a indicação antes das eleições de outubro. O presidente deu a sinalização mesmo sem a certeza de como seria uma segunda votação de Messias e antes mesmo de se acertar com Alcolumbre o nome que vai apresentar. Aliados de Lula ponderam que o envio da indicação ainda dependeria de concretização e conversas com o Senado.
Aplausos no TSE
O ponto de virada, segundo integrantes do Palácio do Planalto, foi a cerimônia de posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira. O advogado-geral da União foi aplaudido fortemente na solenidade. Para Lula, o gesto representou um sinal de respeito e reconhecimento ao trabalho de Messias e um desagravo ao indicado.
Conversas e cautela
Messias teve uma conversa com Lula antes da posse de Nunes Marques no TSE. Foi a segunda reunião entre os dois desde a derrota no Senado. Segundo aliados do chefe da AGU, Messias só aceitaria uma nova indicação com muita certeza de que seria aprovado, principalmente após amargar a primeira derrota. Ele entrou em férias na última quarta-feira e só deve voltar ao trabalho no dia 26 de maio.
Sem atrativo no ministério
Uma segunda opção chegou a entrar na mesa, a de Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa hipótese está mais em segundo plano.
O atual ministro da pasta, Wellington César Lima e Silva, vem recebendo críticas internas no governo em uma pauta sensível para Lula em ano eleitoral, que é a segurança pública. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, levaria Lula a criar o Ministério da Segurança Pública e a reorganizar os cargos.
Para Messias, porém, a pasta da Justiça não é atrativa, segundo interlocutores, pois falta pouco tempo para o término do mandato.