Candidato do PL à Presidência da República impôs condições para quebra do sigilo
Foto : Miguel Schincariol / AFP / CP
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira, 21, que “aceita o desafio” do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para abrir seus sigilos, mas impôs condições. Entre elas, cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência.
Ao justificar a exigência sobre Marcola, Flávio afirmou que Lula não utiliza telefone celular e que as ligações destinadas ao presidente passam por pessoas próximas. O ex-chefe de gabinete atuava como um dos contatos de quem buscava falar com o petista.
As declarações ocorreram um dia depois de a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares. A liberação está condicionada à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.
O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição contém uma declaração formal de autorização, ainda sem os dados bancários, fiscais e telefônicos.
O encontro em Guarulhos foi realizado em local fechado e organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.
Aborto e STF
O candidato do PL à Presidência da República afirmou ainda que, se eleito, indicará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto. O senador também disse que uma eventual reeleição do presidente Lula abriria caminho para a escolha de integrantes que votariam pela descriminalização do procedimento. “A gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto”, declarou.
O senador mencionou os votos de Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, apresentados antes de suas aposentadorias, em favor da descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas de gestação. Ao votar, Barroso afirmou que a discussão envolve o uso da punição criminal contra mulheres que interrompem a gravidez e defendeu que o tema seja tratado como questão de saúde pública.
O candidato também disse que impedirá novas indicações de Lula ao tribunal com uma vitória no segundo turno.