Proposta que tramitava desde 2019 avançou na Comissão de Constituição e Justiça e irá ao plenário do Senado
Foto : Marina Ramos / Câmara dos Deputados / CP
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho avançou mais uma etapa nesta quarta-feira, 2. Após anos de tramitação e diferentes versões, a PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora entra na reta final de análise no Senado.
- A PEC 221/2019, que teve como primeiro signatário o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), já tramitava na Câmara dos Deputados, propondo a redução da jornada de trabalho. Durante muito tempo, porém, ficou praticamente parada.
- Em 2025, a deputada Érika Hilton (PSOL – SP) levou a pauta para dentro da Câmara e apresentou uma nova PEC, a PEC 8/2025, propondo quatro dias de trabalho e 36 horas semanais.
- As duas propostas passaram a ser discutidas em conjunto e a proposta começou a ser tratada como uma das principais pautas trabalhistas do Congresso.
- Em maio de 2026, a Câmara aprovou um texto substitutivo à PEC 221/2019. A nova proposta incluía o fim da escala 6×1, limite de 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado. No Senado a proposta ficou parada por dois meses.
Em agosto houve o destravamento, feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que encaminhou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça. O senador Omar Aziz (PSD-AM) assumiu a relatoria e decidiu manter o texto aprovado pela Câmara, evitando mudanças que fariam a proposta voltar para os deputados. Além disso, a implementação também passou a ser escalonada: 42 horas semanais nos primeiros 60 dias após a promulgação e 40 horas depois da etapa seguinte prevista no texto. Nesta quarta-feira, 2 de setembro, a CCJ do Senado aprovou a PEC, aprovou o texto, liberando para o plenário, que contará com dois turnos de votação e necessitando de ao menos 49 votos favoráveis em cada um deles para a aprovação e conseguinte implementação.
Como estão previstas as regras e período de transição
A proposta estabelece que a jornada normal de trabalho não poderá ultrapassar 8 horas por dia e 40 horas por semana, permitindo a compensação de horários e a redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva. Atualmente, o limite é de 44 horas semanais, distribuídas em até seis dias.
Em situações excepcionais, acordos ou convenções coletivas poderão estabelecer formas diferenciadas de compensação, inclusive para categorias que possuem jornadas específicas. Nesses casos, deverá ser garantida, em média, a existência de dois dias de descanso remunerado por semana ao longo do mês, sendo obrigatório que pelo menos um desses dias ocorra dentro de cada período máximo de sete dias trabalhados.
*Sob supervisão da jornalista Mauren Xavier
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