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Do Planalto ao RS: as poucas vezes em que as urnas decidiram a eleição no 1º turno

Do Planalto ao RS: as poucas vezes em que as urnas decidiram a eleição no 1º turno
Apenas FHC e Tarso Genro venceram sem necessidade de segundo turno; especialista analisa as razões e projetam o cenário para 2026
Há 28 anos no Brasil um presidente da República não é eleito no primeiro turno. No Rio Grande do Sul, uma única vez um candidato ao governo do estado foi eleito no primeiro turno: em 2010Foto : Montagem CP

Reeleições

Além disso, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff (PT) foram presidentes que tiveram dois mandatos em sequência — ou seja, foram reeleitos —, mesmo que Dilma tenha sofrido um impeachment em 2016. Já no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) foi o único governador reeleito. Em 1997, foi criada uma emenda à Constituição que permite aos chefes do Executivo concorrer a um mandato subsequente.

Mesmo com sua renúncia em 2022, Leite foi considerado candidato à reeleição pela Justiça Eleitoral. Nos últimos 24 anos, somente um governador não tentou se reeleger: Olívio Dutra (PT), em 2002. Os demais governadores que disputaram a reeleição não venceram.

Vitórias no segundo turno

O doutor em Ciências Sociais, coordenador dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Economia da Faculdade Católica Paulista e professor de Direito da Fabin, Alisson Centeno, avalia que as vitórias no segundo turno são uma tendência com três vertentes: “primeiro, a introdução da urna eletrônica; segundo, o aumento do nível médio de escolaridade; terceiro, o fortalecimento de partidos políticos em âmbito regional.”

Conforme o professor, as eleições brasileiras apresentavam um problema crônico antes da introdução da urna eletrônica: o alto número de votos nulos. “O fato de a escolha ocorrer através da cédula de papel fazia com que muitos votos fossem anulados por erros de marcação ou escritas indevidas, prejudicando sobretudo pessoas com baixo nível de escolaridade ao escolher sua opção eleitoral, frente à quantidade de nomes e informações que eram apresentados na cédula.”Segundo ele, foi o aumento no nível de escolaridade que trouxe maior capacidade na hora do voto. “Por mais que pessoas sem instrução e escolaridade tenham o devido direito ao voto, é inegável que a foto na urna facilita o processo de escolha na hora da votação.”

Centeno explica que o aumento do nível médio de escolaridade amplia o senso de cidadania e de participação. Pessoas sem escolaridade tendem a apresentar maior nível de abstenção. “É justamente isso que trouxe as vitórias de FHC no primeiro turno nas eleições de 1994 e 1998: alto nível de abstenção com grande volume de votos nulos; consequentemente, a proporção de votos válidos aumenta consideravelmente no cômputo da votação final.”

No RS

O professor avalia o caso do governador Tarso Genro como um “ponto fora da curva” (ou “à parte”). “A então governadora Yeda Crusius (PSDB) era extremamente mal avaliada e a candidatura de Fogaça não tinha um palanque nacional vinculado. Soma-se a isso a então popularidade do presidente Lula; tudo isso criou um cenário extremamente favorável ao governador eleito.”

Tendência

Segundo o professor, em nível nacional, a tendência é que seja cada vez mais comum as decisões serem levadas ao segundo turno, pois o eleitor demora para fazer sua escolha diante da quantidade de partidos e candidatos. “Também, com a redução dos votos brancos e nulos em relação à década de 1990, a proporção de votos válidos tende a não ser suficiente para eleger o Presidente já no primeiro turno.”

Centeno chama a atenção, para as Eleições de 2026, para o fator “medo” dos eleitores em relação aos dois principais candidatos à Presidência da República: “Entre os que temem o retorno de um governo à direita e os que temem a manutenção de um governo trabalhista, existe a possibilidade de concentração de votos nos principais candidatos já no primeiro turno e, por um pequeno fragmento, que o mais votado alcance a maioria absoluta já na primeira etapa. Mas a probabilidade é muito baixa.”

Regras de eleição

Para se eleger presidente e governador no primeiro turno, o candidato precisa receber a maioria absoluta dos votos válidos (50% mais um voto). Se isso não acontecer, ocorre o segundo turno, no qual é eleito quem obtiver mais votos.

No Brasil, a realização do segundo turno é prevista desde a redemocratização. Neste ano, o primeiro turno está marcado para ocorrer no dia 4 de outubro, e o segundo no dia 25 de outubro.

Conforme o artigo 77, § 4º da Constituição Federal, se antes da realização do segundo turno ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de um dos candidatos qualificados, será convocado o terceiro mais votado entre os remanescentes do primeiro turno. Caso haja dois candidatos empatados na sequência de votação, qualifica-se o mais idoso, segundo o Art. 77, § 5º.