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domingo 18 Fevereiro 2018
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Se non è vero è bene trovato Nonno no cinema – Viviane M Foresti

Em homenagem ao antigo Cine Guarany que comoveu muitas gerações com seus filmes…

Se non è vero è bene trovato
Nonno no cinema

Um Domingo em Sarandi nos anos 60/70 era de uma pasmaceira absoluta.
Na minha visão de quase adolescente, uma cidade fantasma onde o silêncio imperava nas ruas vazias, como naquelas cidades do velho oeste americano, depois de serem saqueadas pelos índios peles vermelhas.
Bem, o silêncio só era quebrado pelo badalar dos sinos da Igreja anunciando a missa das 10 h ponto de encontro obrigatório das amigas e onde era combinado o programa para a tarde, quase sempre a matinê no saudoso Cine Guarani .
O cinema naquela época era nosso elo com a civilização, junto a Rádio Guaíba, o Correio do Povo e a revista Manchete, já que não tínhamos televisão , telefone e obviamente nem celular e nem internet, algo impensável nos dias de hoje.
A matinê começava com a abertura ao som da ópera O Guarani, seguido pelo Canal 100, uma espécie de Jornal Nacional semanal, alguns trailers e depois o filme, quase sempre um faroeste de Sergio Leone, os prediletos de todos e principalmente do Nonno que não perdia um, sendo requisitadíssimo pela gurizada para sentar-se lá na frente grudado na tela pois era um espectador passional e participativo que expressava seus sentimentos de maneira enfática e sonora: batia os pés no assoalho de madeira acompanhando a chegada da cavalaria, avisava o mocinho que os índios estavam escondidos no desfiladeiro “varda lì quel bruta bestia!” , chorava com as injustiças e se assanhava com as mocinhas , odiava índios e mexicanos, “tutti maledetti”, sempre os bandidos dos filmes .
Confesso que no início morria de vergonha, era a única menina com o avô no cinema e ainda por cima um Nonno espalhafatoso que se manifestava o tempo todo fazendo a gurizada se mijar de rir, mas com o tempo passei a admirá-lo e finalmente a me orgulhar de ter o único avô com espírito jovem o suficiente para se divertir e ser amado pela gurizada e então uma matinê sem o Nonno passou a não ter metade da graça, bem, até o momento em que os guris começaram a se tornar visíveis, mas isto já é outra história….
Viviane M Foresti