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terça-feira 21 novembro 2017
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Jungmann pede explicações sobre declaração de general que defendeu intervenção militar

Antonio Mourão disse em palestra que medida poderia ser tomada se país não resolver crise através de suas instituições

Ministro busca resposta contundente do Exército | Foto: Marcelo Camargo / ABr / CP

Ministro busca resposta contundente do Exército | Foto: Marcelo Camargo / ABr / CP

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, convocou nesta segunda-feira o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, para pedir explicações após a repercussão negativa dasdeclarações do general da ativa Antonio Hamilton Martins Mourão. Na última sexta-feira, em palestra, Mourão defendeu a possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo país, caso a situação não seja resolvida pelas próprias instituições. Em nota, Jungmann disse que também orientou o comandante “quanto às providências a serem tomadas”, mas não explica quais são.

No fim de semana, ao tomar conhecimento das afirmações, Jungmann relatou o fato ao presidente Michel Temer e avisou que deixou nas mãos do comandante a decisão sobre como conduzir o caso. O general Villas Bôas, depois de ouvir as explicações do contexto da fala do general, que já protagonizou outro problema político em outubro de 2015, quando criticou o governo e a ex-presidente Dilma Rousseff, disse ao Estado que o problema estava “superado”. Pelo Regulamento Disciplinar do Exército, Mourão pode ser punido por dar declarações de cunho político sem autorização de seu superior hierárquico.

A decisão de tentar abafar o caso parece não ter agradado Jungmann, que queria algum tipo de sinal de que esse tipo de declaração não pode ser tolerado. O Exército, no entanto, está tentando contornar a situação, para evitar subir a temperatura e criar um problema ainda maior, já que Mourão tem uma forte liderança na tropa. Além disso, de acordo com integrantes do Alto Comando, Mourão está exatamente a seis meses de deixar o serviço ativo e é melhor não colocar lenha no fogo, criando um novo problema.

Punição

Em 2015, por conta das suas declarações, o general Mourão perdeu o Comando Militar do Sul e foi transferido para a Secretaria de Economia e Finanças, um cargo burocrático. Agora, diante da pressão política, Mourão pode ser retirado de sua função, como medida paliativa para que seu gesto não sirva de incentivo a outras manifestações. Mas o assunto ainda está sendo objeto de discussão porque há quem entenda que puni-lo, de alguma forma, poderia levar a uma leva de solidariedade, criando um clima político considerado “desnecessário”, neste momento, transformando a Força em vidraça.




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