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terça-feira 21 novembro 2017
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Fridolino de Sarandi – Cel Claudio F Vogt

Fridolino de Sarandi

Nascido em 25 de fevereiro de 1910, na Linha São BENEDICTO, Districto de
HARMONIA, no MONTENEGRO, “Colônia Velha“, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL.

Daquela singela casa de madeira amarela ( que ainda hoje existe ), onde o seu quarto era o menor, por ser o caçula da família, trouxe do berço a ausência da mão direita.
Descendente de imigrantes alemães católicos, oriundos da estratégica Cidade de
KOBLENZ, debruçada na foz do Rio Mosel, ALEMANHA.
Ainda pequeno, antes de “ir na aula”, assistiu com tristeza o tétano levar o
primogênito, FERNANDO, aos nove anos de idade, ferido por uma foice de cortar
pasto…Trauma que o acompanhou pelo resto da vida. Como que destinado a ser um grande homem, foi em frente…
Educado por líderes e Irmãos Maristas, era o primeiro na Escola. Estudante
dedicado, de boa memória, tornou-se poliglota. Nunca virava uma página do livro, sem que antes soubesse o significado de todas as palavras. Escutava com interesse a Mãe, HELENA ADAMS, que lhe transmitia conhecimentos auferidos de Revistas Cristãs…no idioma alemão. Autodidata, dono de mente brilhante, foi o “primeiro na vida”… Apoiado,
desde a primeira hora, por FREDERICO MENZ, fundou, em HARMONIA, a COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DO CAÍ SUPERIOR, hoje uma potência econômica… Guardalivro ( atual Contador ), comerciante, empresário, vereador, Presidente do Ipiranga ( 1954 ), humilde, honesto, gentil, religioso, católico, devoto de SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA, íntegro, trabalhador incansável, um Cidadão Sarandiense, cultuador da simplicidade…
Ficava triste, quando pessoas destituídas de sensibilidade zombavam da mão…
que a natureza não lhe deu. Sonhava ser Padre.

Não foi possível.

Não possuía as duas
mãos. Ajudava os pobres.

Ajudava mesmo!

Não fazia alarde.

Rezava em seu quarto de portas fechadas.

Como ensinou JESUS, o Príncipe da Paz… Colaborou com dezenas de festas em honra a SANTO ANTÔNIO, da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes. Sua redação era fluente.

A letra, altiva… Perfeccionista. Parecia viver a um passo do paraiso… Cabeça de santo. Coração de guri. Numa das voltas que o Mundo deu, com o
Beato Padre JOÃO BATISTA REUS conviveu… no PARECI NOVO, no Seminário SÃO JOSÉ, que seu Pai, o Carpinteiro REINALDO FERNANDO, ajudou a edificar, ao final do Século
XIX ( 19 ). Tudo tão perto de DEUS…
Responsável, solícito, atendia aos fregueses correndo da loja para o armazém.

Às vezes, para os caminhões. De convivência agradável, sempre tinha algo a contar.
Confiável, desfrutava de grande prestígio na região do SARANDI. Era convidado para
vários eventos no mesmo dia. Inteligente, ensinou os colonos. Próspero, ajudou a
financiar a Cidade. Generoso, perdoou os devedores. Trouxe o progresso…
Sentimental, chorava com facilidade. Um dia, quando eu tinha 7 anos, perdi o
martelo… mais uma vez… Ele mandou me chamar para ser responsabilizado. Quando
me apresentei ( para apanhar ), na calçada dos fundos, ele emocionou-se e, com a voz
embargada, liberou-me para brincar… Bater num filho era algo impensável…
Alegre, no verão, às “quatro da tarde”, liderava a reunião dos filhos, amigos e
balconistas da loja, para saborear as melancias graúdas, vindas do Vale do Caí, à sombra
da bergamoteira, no alto do pátio.
Sua vitalidade era fora do comum. Para agilizar o trabalho, carregava sacos de
suprimentos de 30, 60 quilos. À noite, após o REPÓRTER ESSO da RÁDIO FARROUPILHA,
quando se recolhia, exausto, para o quarto sagrado, arrastava os chinelos pelo assoalho,
tamanho havia sido o esforço ao longo do dia… Trajava o suspensório inseparável.
Comprado no ARMARINHO LEÃO, do PORTO ALEGRE. Sobre uma camisa listrada. Levava
no bolso da calça cinza um canivete… que só faltava falar. O lápis, na orelha. Uma
caneca de aço inoxidável na mão, com a água ao ponto de cair…
Incorruptível, saúde de ferro, vontade inabalável, era, enfim, um profissional
exemplar. De coração nobre, bondoso… Tratava-me, sempre, por um posto acima.
Promovia-me antes do que o EXÉRCITO. No fundo, eu sabia que quem deveria ser
promovido era ele… Fujo de um rótulo que nunca quis receber: ingrato.
Ao volver os olhos para tudo que aconteceu, torna-se impossível deixar de
reconhecer o valor da educação… Num mundo que gira … da crueldade à ingratidão, ele
foi… o amigo mais leal!
Algumas pessoas, talvez, não compreendam esta homenagem plangente.
Certamente é porque não sabem quantas vezes meus olhos melancólicos procuraram
meu Pai na missa das nove… nem quantas vezes chorei de saudade, ao lado das coisas
que ele deixou…

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C F VOGT
POST – SCRIPTUM
“ A simplicidade é o último degrau da sabedoria”.
( VICTOR HUGO )

 




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