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quinta-feira 18 Janeiro 2018
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Corações Humildes – Claudio Vogt

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CORAÇÕES HUMILDES

Numa tarde de dezembro, saí por aí sem destino. Eu precisava desabafar, pensar, entender… Por que algumas iniciativas não deram certo? A lenta aproximação de mais um Natal deixava a Capital do Rio Grande com a sensibilidade à flor da pele… Ensinaram-me a confiar. É uma grande lição. Mas confiar em quem? Um Tenente da Academia Militar das  Agulhas Negras me ensinou que, na vida, há pessoas certas e pessoas erradas… Taiguara disse que não queria a juventude assim perdida… Eu não quero a Pátria assim perdida!  Já não estava mais só: caminhava com a tristeza…

Numa esquina qualquer, dobrei para a esquerda. Dobrei por dobrar. Seguia uma trilha perigosa: a indiferença. Na calçada, passei por um gaúcho idoso, pilchado, deitado, dependente químico… Ele não quis ser ajudado… Uma bola pequena “foge” de um pátio. Tentava encontrar explicações para episódios e mágoas… Quem controla a falsidade dos corações? Debaixo deste céu azul, parece que nada é igual… ver e não ver, sentir e não sentir, crer e não crer…

O Escritor Alemão Johann Wolfgang Von Goethe ensinou que nem todos os caminhos  são para todos os caminhantes. Há homens que nos orgulham. Há homens que nos envergonham. Alguns exaltam o Livro, mas não publicam o trabalho dos escritores. Há soldados e soldados… Todos precisam de medalhas. Todos precisam de perdão…

Os medicamentos estão caros. Algumas famílias não conseguem comprar. Chegam até a cancelar o tratamento médico… O numerário para os remédios deve vir do Orçamento da União. O Brasil é um dos países que mais cobra impostos no mundo… Alguns prefeitos fornecem, gratuitamente, os medicamentos ao Povo!

Nas minhas caminhadas, encontrei aposentados insatisfeitos… alguns revoltados. Para eles fica claro que a nossa Pátria é duas! Os aposentados brasileiros tiveram seus salários diminuídos nos últimos anos. Desempenham outras atividades profissionais… para não passar fome! Morrem de tristeza, quando o jornal publica aumentos generosos para categorias que já recebem salários polpudos… É justo? O que significa isso? Significa que o Líder não paga os idosos, de acordo com a grandeza do trabalho que  fizeram… para construir o Brasil…

Os nossos queridos mestres nunca foram remunerados de acordo com a nobreza da profissão…  Mais do que todos, sabem que a Educação é o caminho… para a felicidade. Eles têm a importante missão de transformar crianças inexperientes … em cidadãos honestos e felizes…

Oh! Que saudade de um BRASIL que não existe mais!  A Palavra era um valor, cultuado com orgulho… Às vezes, penso que a Palavra já não vale mais nada… E a Confiança? Por que trabalham tanto para fortalecer as marcas? Alguns espertos já não cumprem o que foi decidido nas reuniões… Fazem pouco caso da Honestidade. O futuro, porém, vai provar que a corrupção prejudica a todos!

E a amizade? Outrora, valor tão belo… Um amigo leal, compreensivo, confiável, presente nas horas amargas… é uma espécie de riqueza… Um Amigo verdadeiro mostra as maravilhas do mundo… É com melancolia que encontro conspiradores da Família… Eles acreditam que podem ser felizes sem ela…

A Língua Portuguesa é patrimônio nacional. Orgulho a um tempo, prazer a outro… Ferramenta áurea que o saber lapida… Silente clama  por estudo profundo…

Um automóvel de luxo não respeita a faixa de segurança. O egoísmo falou mais alto… Se o motorista afoito tivesse parado, poderia ter visto a beleza dos enfeites de Natal…

Decidi entrar na Igreja São Francisco de Assis. Estava fechada. E agora…?… Um Soldado conduz o Menino, de volta para casa, com a bola e o sentido da vida… imitada pelo Cinema: eu estava vivendo “Um Dia de Fúria”…

Velha charrete surge. Desloca-se pela Rua São Luiz, no sentido Centro-bairro. Conduzida por homem pobre. Transportando crianças alegres, cães atentos e sacolas de plástico. Não cabe mais nada! O cavalo, ensinado, ao trote, quer voltar para casa…

Na frente da Igreja, aquele sofrido chefe de família levanta-se, lentamente, equilibrando-se… correndo o risco de cair… Com elegância,  fé e devoção, faz o Sinal da Cruz… que a saudosa Mãe ensinou, quando pequeno…

Os sinos tocam. As portas da Igreja se abrem. Pequeno milagre, escondido na poluição da Cidade grande… Bela orquídea, a brotar por entre as pedras… Aquele gesto nobre, de um coração puro, serenou as águas da minha revolta… A fome não expulsa Deus do coração brasileiro! A miséria não cala a voz de Jesus na alma verde e amarela! Vamos começar de novo, ainda nesta tarde! O Altíssimo e Jesus de  Nazaré estão vivos…  nas profundezas dos corações  humildes…

                                                           

Claudio Frederico Vogt

cfvogt@yahoo.com.br




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