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sábado 20 Janeiro 2018
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Comissão do Impeachment encerra fase de depoimentos de testemunhas

Tanto advogado de defesa quanto de acusação se disseram confiantes quanto ao resultado do processo

Tanto advogado de defesa quanto de acusação se disseram confiantes quanto ao resultado do processo | Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado / CP

       Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado / CP
A Comissão Processante do Impeachment concluiu nesta quarta-feira a fase de depoimentos de testemunhas. Após ouvir os quatro últimos depoentes arrolados pela defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, os senadores encerraram também os trabalhos da comissão nesta semana e convocaram a próxima reunião para o dia 5 de julho, quando serão ouvidos os peritos que analisaram os documentos que embasam a denúncia.
Hoje, os senadores ouviram o diretor do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luiz Guadagnin; o procurador do Banco Central, Marcel Mascarenhas dos Santos; o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha; e o analista de Finanças e Controle e Subsecretário de Política Fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional, Paulo José dos Reis Souza.
Confiantes
Ao final da fase de oitivas, tanto a acusação quanto a defesa se disseram confiantes sobre suas teses. A advogada de acusação, Janaína Paschoal, criticou a atuação da defesa de Dilma na comissão por causa do grande número de testemunhas convocadas, 40 no total. “Ficou claro que houve uma intenção procrastinatória da defesa, porque as pessoas [depoentes] não sabiam nada sobre os fatos e nem da pessoa da presidente”, disse. “Acho que, por mais que tenha sido cansativo e desgastante, a prova ficou muito forte.”
Janaína disse que está com a “sensação de dever cumprido”, mas evitou antecipar sua expectativa sobre o resultado do julgamento. “Acho que seria muito ruim para o país [se o impeachment não se concretizar]. Mas, como advogada, a gente tem que trabalhar com todas as possibilidades”, disse.
O advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, também demonstrou confiança, mas disse que o fato de o processo ter um cunho político pode interferir no resultado. O ex-ministro da Justiça lembrou que alguns senadores não quiseram sequer ouvir as testemunhas, porque já estavam com o juízo formado antes da conclusão dos trabalhos.
“Se for um julgamento justo, imparcial, se as pessoas pensarem naquilo que a lei diz efetivamente, não há como sustentar o oposto. Agora, se for consumar aquilo que se queria desde a abertura do processo, que é o afastamento político, não importa a razão, aí nós não reverteremos. Em outras palavras, se for um julgamento justo, se reverte [o afastamento da presidenta]”, afirmou.
Apesar da cautela, Cardozo disse que a acusação não produziu, durante as oitivas, nenhuma prova nova e apenas reproduziu o que já era conhecido, com base na opinião do Tribunal de Contas da União. Para ele, todas as testemunhas disseram “unanimemente” que não houve má-fé na edição dos decretos e que a presidente Dilma não teve responsabilidade sobre as pedaladas. “A prova é avassaladora na linha de destruir as denúncias”, analisou.
Cronograma
Na próxima semana, além da oitiva dos peritos, está previsto o depoimento da presidente afastada. No entanto, Cardozo disse que ainda vai decidir com Dilma se ela irá pessoalmente ao Senado ou se enviará um depoimento por escrito, ou ainda se o próprio advogado falará por ela.
A Comissão Processante do Impeachment ouviu ao todo 45 testemunhas, sendo 39 de defesa, duas de acusação e quatro arroladas pelo juízo. Na próxima semana, ouvirá os três peritos e mais os assistentes da defesa e da acusação na perícia.
Correio do Povo



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