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terça-feira 28 janeiro 2020
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Bolsa renova máxima de fechamento e dólar recua a R$ 4,09

Ibovespa teve leve alta de 1,11%, fechando aos 112.199,74 pontos

Foto: Marcos Santos / USP Imagens / Divulgação / CP

Com boas notícias internas e externas, moeda americana oscilou e terminou em queda de 0,62%

Ibovespa teve leve alta de 1,11%, fechando aos 112.199,74 pontos

O Ibovespa renovou máximas intradia e de fechamento, nesta quinta-feira, em meio ao entusiasmo suscitado pela elevação da perspectiva para o Brasil pela agência Standard & Poor’s, anunciada na noite anterior, assim como pela porta aberta deixada pelo Copom para novo corte de juros, após a redução da Selic a nova mínima histórica, a 4,50%. Por volta das 16h30, o principal índice da B3 tocava novos picos, com o relato da TV Bloomberg de que os Estados Unidos chegaram a um acordo comercial com a China em princípio, que agora aguarda aprovação do presidente americano, Donald Trump. Em Nova York, os três índices fecharam o dia com ganhos entre 0,73% e 0,86%, com S&P 500 e Nasdaq em novas máximas históricas de encerramento.

A notícia causou entusiasmo em Wall Street, levando os índices de NY às máximas da sessão. Assim, o Ibovespa fechou em alta de 1,11%, aos 112.199,74 pontos, não muito distante do pico intradia, oscilando entre mínima de 110.963,08 e máxima de 112.444,74 pontos durante a sessão. Na semana, o índice passa a acumular ganho de 0,97% e, no mês, de 3,66%. Em 2019, avança 27,66%. Das nove sessões realizadas em dezembro, apenas duas foram negativas – e, ainda assim, levemente: baixa de 0,13% na segunda e de 0,28% na última terça-feira. O volume financeiro hoje foi de R$ 21,6 bilhões.

“Com a melhora da perspectiva anunciada ontem, a sinalização dada pela S&P é muito importante, na medida em que ela costuma ser a primeira entre as principais casas de classificação de risco de crédito a tomar posição, liderando o processo. Dá para contar com recuperação do grau de investimento até o fim do ano que vem”, diz Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante. “Conversando com colegas, já é possível ver aumento de interesse entre os estrangeiros”, acrescenta.

O fluxo do investimento estrangeiro na Bolsa brasileira, carregada até aqui basicamente pelos domésticos, é a chave para testar o fôlego do Ibovespa em direção a novas máximas. A eventual superação, ainda que sem um acordo em definitivo, na disputa comercial entre EUA e China, bem como a recuperação das notas de crédito pelas agências internacionais de classificação de risco são fatores essenciais para a retomada dos fluxos estrangeiros, apontam analistas.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse hoje que há uma tendência de que as demais agências de classificação de risco olhem a economia brasileira com “mais cuidado”, após a S&P ter melhorado a perspectiva da nota do País. “Quando uma agência melhora, todas as outras olharão os dados com mais cuidado. Acho que outras agências vão ter que claramente olhar para esse cenário mais positivo”, disse, destacando as cerca de 30 empresas que também tiveram melhora no rating.

Para Bevilacqua, da Levante, o ajuste fiscal e os cortes já acumulados na Selic começam a produzir efeitos positivos sobre a confiança dos agentes econômicos e sobre o ritmo de atividade, com consequências positivas para 2020. “Com a questão fiscal encaminhada e o crescimento econômico, estamos saindo do lodo”, diz o estrategista da Levante, com referência para o Ibovespa a 115 mil pontos no fechamento de 2019.

Dos 68 papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, 14 fecharam em baixa nesta sessão. A ação PN da Petrobras subiu 1,88%, com o petróleo em alta na casa de 0,7% no fechamento da Nymex. Outro carro-chefe, Vale ON, avançou 2,16%.

Dólar

O dólar oscilou ao sabor de boas notícias internas e externas no pregão desta quinta-feira deixando o real se valorizar. No fechamento, a cotação desceu a R$ 4,0935 (-0,62%), bem próxima do menor nível desde 7 de novembro passado (R$ 4,0930). A divisa americana abriu em baixa, refletindo as expectativas mais positivas para o Brasil, com a mudança de perspectiva de ‘neutra’ para ‘positiva’ para a nota de crédito soberana anunciada pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings na noite de ontem. Depois, a queda foi acentuada com notícias sobre possível apaziguamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

“O presidente dos EUA, Donald Trump colocou a cereja no bolo”, disse Jefferson Laatus, estrategista-chefe da Laatus, referindo-se ao tuíte de Trump de que o país está chegando muito perto de um grande acordo comercial com a China, na manhã de hoje. Já quase ao final da sessão do mercado à vista, notícia da TV Bloomberg de que um acordo comercial, em princípio, estaria aguardando a assinatura do presidente americano, levou o dólar à mínima do dia em R$ 4,0858.

Segundo fontes citadas pela Dow Jones Newswires, os EUA podem cortar até 50% nas tarifas sobre US$ 360 bilhões em produtos chineses, além de cancelar uma nova rodada de tarifas previstas para entrar em vigor neste domingo, dia 15. O estrategista-chefe ressalta, entretanto, que, se essa notícia não for confirmada pela Casa Branca de maneira oficial, é possível que a sexta-feira seja um dia de maior estresse, dada toda a instabilidade que traz embutida.

O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil chegou a ser negociado na tarde de hoje a 100 pontos, no menor nível desde setembro de 2012, de acordo com cotações da IHS Markit. Ontem, as taxas fecharam em 108 pontos. Pela manhã, o CDS caiu para 103 pontos.

Operadores ressaltam que o movimento reflete a inesperada mudança na perspectiva para o rating. “A S&P inesperadamente revisou a perspectiva para o rating brasileiro, citando progressos na redução do déficit fiscal e melhora no crescimento econômico”, ressaltou, em relatório, o banco Mizuho. Os analistas do banco preveem dólar encerrando 2019 a R$ 4,10 e a R$ 4,00 no próximo ano.

Juros

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão regular, a primeira pós-reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em queda na parte curta. Os vencimentos mais distantes indicavam um fechamento com viés de alta, mas fecharam com viés de baixa diante da informação de que Estados Unidos e China fecharam um “acordo de princípios”. A notícia, ainda não oficializada, derrubou o dólar e fez a Bolsa brasileira bater máxima. A proposta estaria aguardando a assinatura do presidente americano, Donald Trump, que hoje mais cedo tuitou que os dois gigantes do comércio global estavam muito perto de um grande acordo.

“A parte longa da curva responde à notícia de que Estados Unidos e China estão próximos de acordo, mas também à mudança da perspectiva da nota do Brasil pela S&P”, afirmou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho. Rostagno afirmou que a mudança pela S&P Global Ratings foi uma surpresa. “Não havia expectativa de uma alteração agora. Foi uma surpresa pelo timing. Eu esperava que pudesse acontecer em algum momento do ano que vem”, disse.

Após a S&P, a expectativa do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, é que as demais agências de classificação de risco olhem a economia brasileira com “mais cuidado” e também acabem revisando a nota soberana. “Quando uma agência melhora, todas as outras olharão os dados com mais cuidado. Acho que outras agências vão ter que claramente olhar para esse cenário mais positivo”, disse em entrevista à GloboNews.

Nesse contexto, o DI para janeiro de 2020 fechou a 4,40% ante 4,42% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2021 fecha a 4,54% ante 4,61% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2023 encerrou a 5,75% ante 5,74% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2025 encerrou a 6,34% ante 6,35% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2027 encerrou a 6,68% ante 6,70% no ajuste de ontem.

Na sessão estendida, as taxas mais longas voltavam a exibir viés de alta. Às 17h57, o DI para janeiro de 2025 exibia 6,39%, sendo que na mínima do dia marcou 6,26%. O DI para janeiro de 2027 estava em 6,72%, sendo que a mínima intraday foi de 6,63%.




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