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terça-feira 21 novembro 2017
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Barcelona vive domingo atípico e violento

Quase metade dos feridos durante confrontos no referendo de independência da Catalunha são da cidade

Referendo foi marcado por momentos de tensão na Catalunha | Foto: Fabio Bucciarelli / AFP / CP

Referendo foi marcado por momentos de tensão na Catalunha | Foto: Fabio Bucciarelli / AFP / CP

O domingo foi um dia atípico e tenso em Barcelona. Registros de confusão e violência por parte da Polícia Nacional e da Guarda Civil movimentaram as ruas da cidade e as redes sociais com fotos, vídeos e depoimentos acalorados de pessoas pró e contra a independência da região da Catalunha – cujo referendo foi considerado ilegal pelo governo espanhol.

A votação teve início às 6h (horário local) e foi encerrada às 20h. Segundo dados oficiais, quase 850 feridos tinham sido registrados até as 22h30min – 355 em Barcelona. Ao menos 48 denúncias contra policiais haviam sido realizadas. Disparos de balas de borracha a menos de 25 metros de distância, golpes, pessoas sangrando, manifestações, enfrentamentos e discussões são exemplos do que aconteceu ao longo do dia. Moradores ainda constataram corte do sinal de internet em alguns locais, que seria para impedir a votação.

A situação complicou-se em outras localidades, além de Barcelona. Em Aiguaviva, província de Girona, ao Norte, 10 pessoas foram atendidas vítimas de gás lacrimogêneo disparado por policiais, de acordo com dados do Departamento de Saúde da Catalunha. Já em Tarragona, ao Sul, o líder da formação independentista foi agredido duas vezes, levou sete pontos na cabeça e apresenta sinais roxos nas pernas.

“Houve um grande descontrole provocado pela incerteza de não saber se poderia votar ou não, uma vez que o governo central cortou o acesso à internet e ao censo várias vezes. Para mim, não se trata de uma questão de independência, mas de defesa da democracia, do direito a opinar. Os políticos trabalham para nós e a única maneira de dizer o que queremos é votando”, afirmou Irene Mora, 37 anos, catalã que votou pelo “não” depois de uma espera de cinco horas na fila.

Já para outro catalão, Cesar Sandes, 41, “o referendo é uma via não muito legítima, mas adequada às manobras do Estado para promover mudanças. Assim se alteram as situações injustas ou políticas que não têm sentido em relação à cidadania”.

Mais de 5 milhões de catalães estavam aptos a votar no referendo | Foto: Lluis Gene / AFP

 

Forte aparato policial

Segundo a constituição da Espanha, de 1978, as regiões do país possuem uma ampla autonomia, porém a unidade da nação espanhola é indissolúvel. Embasado nisso, o referendo deste domingo é considerado ilegal.

O governo español enviou, há cerca de 10 dias, cerca de 6 mil policiais para manter a ordem na Catalunha, especialmente em Barcelona, e atuar nos locais de votação. Os agentes foram alojados em navios de uma empresa italiana que estão atracados no porto de Barcelona.

Para representantes dos partidos integrantes do governo federal, que participaram de programas em emissoras de rádio e televisão ao longo da semana, bem como deram entrevistas para jornais e sites, a forma mais eficaz para ocorrerem mudanças na Catalunha – e na constutuição espanhola – é a apresentação de propostas, seguidas de reuniões para chegar a um acordo.

Por outro lado, os independentistas afirmam que têm o direito de expressar suas opiniões por meio do voto e que mudanças são necessárias. Um dos pontos mais polêmicos é o valor dos impostos repassado ao governo central, em Madri, e a porcentagem que retorna à Catalunha – muito inferior à enviada. A Catalunha é uma das áreas mais ricas da Espanha, concentrando 19% do PIB do país.

A questão da independência na Catalunha é algo antigo que tem se intensificado desde 2010, devido principalmente à crise econômica sofrida em toda Espanha.

Correio do Povo




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