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sexta-feira 15 novembro 2019
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As janelas do orfanato – Cel Claudio Vogt

As Janelas do Orfanato


………Foi num final de inverno que nasceram, numa cidade do interior, duas gauchinhas. Alegria em dobro. Preocupação, também.  Elas eram filhas de um casal de moradores de rua, selecionadores de papel. Quatro pessoas envoltas num círculo de miséria. Situação desfavorável à educação das crianças, agravada por uma síndrome.

………Um líder propôs, aos Pais, que ambas fossem morar no Orfanato, até melhorar a situação. Para evitar que as gêmeas sofressem como eles, vivendo na rua, o Pai concordou, mas, só depois que as crianças fossem batizadas. Na Igreja Matriz, receberam belos nomes: MARIA FERNANDA e MARIA VITÓRIA.
………Como é bonito quando um Povo valoriza o Orfanato! Quando investe numa Instituição de Caridade! Quando sabe o valor da APAE! As meninas foram crescendo com alimentação saudável. Com educação cuidadosa. Com bons exemplos. Faltava, apenas, uma família amorosa, uma casa bem bonita, um pouco de esperança.
………A Irmã Diretora sabia que “a família é a célula-mãe da Sociedade”. Trabalhava para que as Alunas fossem adotadas ou contratadas. Na semana do Natal, levou as pequenas para conviver com famílias de boa vontade. Ao realizarem exame médico, as gêmeas foram contra-indicadas para adoção.
………A Diretora ficou triste. Estava ansiosa para dar uma oportunidade a elas, agora com três anos. Seguiu em frente e exclamou: “Que os Anjos resolvam!” Tinha a esperança que uma alma boa compreendesse a realidade delas… Lembrou-se do Papa FRANCISCO: “…nenhuma criança sem lar…”
………A MARIA FERNANDA foi passar o Natal na casa da GABRIELA. A Dona da residência estava de cama, com depressão.  Mas, ao ver a criança, gostou muito dela: era alegre, engraçada, brincalhona… O coração de Mãe falou mais alto. Recomeçou a vida. A pequenina não tinha nada para oferecer, mas, sem querer, deu uma razão para viver.
………A patroa apresentou um plano para adotar a guria. Algumas filhas foram contra. A síndrome… era desconhecida! Mas, a Mãe da GABRIELA estava determinada. Otimista. Naquela família religiosa, um argumento foi decisivo: a MARIA FERNANDA tem o direito de viver! O Sol nasce para os especiais, para os pobres, para os pássaros… O Sol nasce para todos!
………Foi adotada, enfim, por uma equipe madura. Ela une a família. Interage com todos. Alegra a casa. Vaidosa, faz poses para fotografias. Faz de tudo um pouco, embora devagar. Na Missa da noite, orgulhosa, leu uma Carta do SÃO PAULO… Em setembro, foi realizada uma emocionante festa de aniversário: 15 anos! Com orações e sorrisos, ela encontrou uma família amorosa. Olhares perdidos nas Janelas do Orfanato ficaram na lembrança…
………O médico que previu vida curta para as gêmeas compareceu. Disse que a MARIA FERNANDA tinha muita vontade de viver. E que foi feita a vontade de DEUS… O BRASIL não precisa de superhomens. Precisa de homens felizes. Em atenção a corações humildes, para DEUS tudo é possível…
………A MARIA VITÓRIA passou o Natal em lar abastado. Ficou encantada. Recebeu pouca atenção. Estavam preparando-se para viajar. Não houve interesse em adotar a gauchinha. Por causa de uma síndrome, foi discriminada, sem saber. Buscam olhos azuis. Que não garantem a nobreza de caráter de um homem… Para ela, foi triste saber que havia dois quartos sobrando naquela casa! Não é a primeira vez que a vida fica esquecida num canto. A criança conheceu a elegância, mas não o amor!
………Numa Instituição quase centenária, a MARIA VITÓRIA, sofrendo saudade da Irmã gêmea, era vista, trajando azul, brincando no gramado da frente, olhando, ansiosa, o portão da Avenida. Quem sabe sofrer? Quem sabe esperar?
………Mas, era um coração que não sabia esperar… Esperando ser escolhida por uma família bem bonita, vestindo rosa claro, ainda pequena, morreu de tristeza… numa das Janelas do Orfanato

(Baseado em fatos reais)



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