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quarta-feira 12 agosto 2020
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Alckmin vira réu por corrupção, lavagem e falsidade ideológica

Juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, recebeu denúncia por supostos repasses ilícitos nas campanhas de 2010 e 2014

Foto: Valter Campanato/Agência Brasi

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) virou réu, nesta quinta-feira, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois), após o juiz Marco Antonio Martin Vargas aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral na quinta-feira passada. Com a decisão, o tucano passa a responder a ação penal eleitoral por suposto caixa dois de R$ 11,9 milhões pagos pela Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

A decisão também coloca no banco dos réus o então tesoureiro da campanha de Alckmin em 2014, Marcos Monteiro, e o ex-assessor do governo Sebastião Eduardo Alves de Castro. Ambos receberam os supostos repasses ilegais da empreiteira em nome do tucano, segundo as investigações.

De acordo com o juiz eleitoral, o Ministério Público Eleitoral apresentou indícios suficientes de materialidade dos crimes supostamente cometidos pelo ex-governador.

Entre as provas listadas pela Promotoria, no que ficou conhecido como ‘Lava Jato Eleitoral’, há depoimentos de delatores da Odebrecht, registros de pagamentos, e-mails e planilhas com codinomes relacionados à Marcos Monteiro (‘M&M’) e até mensagens trocadas por funcionários do doleiro Alvaro José Gallies Novis, suspeito de ter operacionalizado o pagamento de R$ 9,3 milhões em propinas a Sebastião Alves de Castro, o ‘senhor Eduardo Castro’.

O cunhado do ex-governador, Adhemar Ribeiro, o ‘Belém’ do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, recebeu supostos R$ 2 milhões em 2010, mas o Ministério Público apontou que os crimes já prescreveram.

“Os depoimentos dos colaboradores e das testemunhas, somados aos elementos de corroboração acostados nos autos, em tese, perfazem conjunto de indícios, por ora, capaz de reforçar a convicção sobre o envolvido dos denunciados no complexo esquema de solicitação e recebimento de vantagens indevidas em razão de função política, omissão de dados à Justiça Eleitoral e lavagem de capitais, supostamente erigido para dissimular os fins ilícitos dos grupos políticos e empresariais apontados”, afirmou o juiz Marco Antonio Martin Vargas.

O magistrado também autorizou o compartilhamento dos autos da ação contra o tucano com a 9ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, que move ação de improbidade administrativa contra Alckmin pelo mesmo episódio.

A defesa do ex-governador pode apresentar defesa nos autos em até dez dias.

Denúncia

De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Alckmin recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht em 2010 e R$ 9,3 milhões em 2014, quando disputou e se reelegeu governador de São Paulo. Uma semana antes da denúncia, a Polícia Federal indiciou o tucano no caso.

Correio do Povo, com AE
Publicado por

Ricardo Pont




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